“Voto impresso é uma polêmica desnecessária”, diz representante eleitoral da OAB/SE


O tema voto impresso foi pauta da entrevista desta terça-feira, dia 13, durante o Programa “Cultura News”. O Presidente da Comissão de Direito Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Sergipe, Dr. Jefferson Feitoza abordou o assunto que vem sendo foco da defesa do Presidente Jair Bolsonaro para as próximas Eleições.


Para o especialista na área eleitoral, o que poderia ser mais um meio de confiabilidade do voto pode se tornar problemático. “Em 25 anos da urna eletrônica nunca se verificou problemas com ela no que diz respeito a fraudes ou tentativa de violar o aparelho. Sempre o TSE e os TRE’s convocam todos os partidos para acompanhar desde a inserção de dados na urna até a apuração. Pode ser feita audição na contagem e o sistema é bem difícil de se invadir. O assunto é polêmico, mas considero algo desnecessário”, pontuou.


Dr. Jefferson recordou as Eleições do ano passado. Mesmo com a pandemia, o sistema ocorreu de forma tranquila e segura. “Tirando a extensão do horário para evitar aglomerações, o processo ocorreu sem nenhum grande problema. Temos mais de 5500 municípios e foram 5500 Eleições simultâneas. Todos os Tribunais Eleitorais atestaram a segurança da urna eletrônica. Reafirmo que essa discussão do voto impresso não cabe”, destacou o representante da OAB.


Um dos problemas resolvidos com a Eleição eletrônica diz respeito a garantia de que está sendo votado. “Na época do voto em cédula era bem mais fácil de se fraudar. Sem contar que a pessoa poderia fazer um X não no quadrado, mas perto do nome dos candidatos. Era uma confusão para decidir a quem conferir o voto. Com a votação eletrônica isso acabou de uma vez”, lembrou Dr. Jefferson.


Outro ponto lembrado é que já houve Eleição de voto impresso em 2002 em Sergipe e Distrito Federal, já realizando o teste. No entanto, o sistema de impressão mais atrasou a apuração que ajudou. “Vários problemas foram registrados na época. A urna travava, era reiniciada. Isso causou longas filas. Sem contar que só na instalação desse módulo de imprimir foi gasto muito dinheiro público. É o que pode ocorrer agora”, alertou o advogado.


Ao final o especialista na área de Eleições disse que os representantes escolhidos pelo povo deveriam se preocupar mais com a formação da sociedade para a política. “Não é que todos entrem na política partidária. Mas que exista essa participação política, a fim de escolhermos cada vez mais políticos comprometidos com todo um projeto de pais. Isso vale de vereador do menor município do país ao Presidente da República”, pontuou Dr. Jefferson Feitoza.



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Foto: Agência Brasil