“Varíola dos macacos em Sergipe é questão de tempo”, diz Professor da UFS


Na manhã desta segunda-feira, dia 08, o Coordenador da Força-Tarefa da Covid-19 em Sergipe, Professor da UFS Lysandro Borgues, foi o entrevistado do “Linha Direta” com Jairo Alves de Almeida. Ele comentou sobre o cenário da pandemia no estado e alertou sobre a “varíola dos macacos”, que pode chegar ao estado.


O especialista afirmou que Sergipe vive estabilidade, mas poderá registrar aumento de casos a partir do fim do ano. “A partir de dezembro nós podemos ter um grande número de pessoas positivas para a covid-19. A diferença é que agora temos a vacina sendo ofertada. A questão é que todos devem se imunizar, pois o coronavirus não vai acabar totalmente, apenas vai se estabilizando”, destacou.


Lysandro Borgues disse que o aumento de novos casos até o fim do ano pode estar relacionado a uma subvariante da ômicrom. “Todas elas já passaram por regiões da Europa, mas aqui no Brasil ainda não. Estamos analisando e vendo quando ela poderá chegar até nós. Até lá é manter os cuidados”, completou.


Questionado sobre os protocolos de proteção e limpeza, o líder da força-tarefa disse que infelizmente está ocorrendo um esfriamento dos cuidados. “Antes as pessoas usavam máscara e higienizavam as mãos com álcool 701. Tinha lojas que montaram até pia com água e sabão. Hoje em dia muitos não fazem isso. E a população achou que flexibilizando as máscaras acabou o perigo. Não temos a cultura que o Japão tem. Por que é que lá eles passaram pela pandemia com mortes abaixo do esperado? Devido a esse costume de décadas da máscara”, lembrou o Professor.


Outro ponto que vem dificultado o trabalho de prevenção é sobre o próprio Ministério da Saúde que, segundo Lysandro, acha que a pandemia pode ter acabado. “É um engano pensar assim. Vi muita gente dizendo que estávamos vencendo a covid-19. Comparando com o começo da pandemia, beleza. Mas ainda temos casos e mortes. Não dá pra afirmar que a doença foi eliminada por completo”, pontuou.


Sobre vacinas, o especialista em saúde destaca que, a tendência, segundo a analise dos cientistas, é que todos possam tomar 2 doses a cada ano. Mas nem isso o Ministério da Saúde se preocupou em fazer. Não foi protocolado isso. Estamos passando pela pandemia sim, mas ainda com muita gente que adoece sem a imunização total”, lamentou.


O menosprezo a vacinação logo no inicio também pode ser apontado com um atraso no processo de proteção das pessoas. “Muita gente ou ficou com medo ou realmente reverberou o que o chefe do país falava. Aliás até um ex-ministro da Saúde questionou a pressa da vacinação. Ai está o resultado. Temos ainda mortes sim, mas muito abaixo do que tínhamos no começo da pandemia. Infelizmente isso também foi um retrocesso no processo de vacinação da população”,, denunciou Lysandro Borgues.


Perguntado sobre as testagens, o especialista disse que a procura tem sido em queda livre. Muita gente acha que só se vacinando está protegido. Está sim, mas pode também contrair a covid-19 e transmitir para mais gente. Por isso é importante que a testagem seja feita pelos municípios com grande numero de pessoas. Em um dos asilos de Sergipe fizemos a testagem e vimos que quase 100% tinham anticorpos para proteção. E todos já vacinados. Isso é fundamental para termos o cenário do que ocorre”, descreveu.


Ao final, Lysandro foi questionado sobre a “varíola dos macacos”. Ele disse que o estado já vem se preparando. “Estamos aguardando a chegada de casos da varíola dos macacos aqui. A presença da doença aqui em Sergipe é questão de tempo. Não estamos criando pânico, mesmo porque já ficou comprovado que a transmissão é contato físico entre pessoa doente e sadia. Iremos receber testes da Coreia do Sul e em breve, haverá vacina disponível para esse público. Vale lembrar que, que é da geração anterior a 1975 poderá já estar imunizada, pois a antiga vacina da varíola tem eficácia. Nossa maior meta é vacinar as gerações dos anos 80 e 90”, respondeu.



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Foto: Schirlene Reis/Ascom UFS