“Reforma Tributária não poderá ser feita a conta-gotas”, diz economista


O Programa “Linha Direta” desta sexta-feira, dia 23, entrevistou o Economista Idalino Souza. Ele falou sobre a atual discussão da Reforma Tributária que está sendo discutida no Congresso Nacional em meio a assuntos tensos que estão na pauta do país.


Para o especialista, o assunto já tem anos que não sai do papel. “Esta atual reforma tributária não poderá ser a conta-gotas. Esta é a segunda fase que o Governo Federal já colocou para análise. Ano passado teve uma pequena mudança que ainda não foi percebida. Já tramita desde 2019 duas PEC’s que trata de reforma mais ampla. Elas têm muitos pontos em comum. Classificada até como mais elevada do que atual. Uma delas mexe com o Imposto de Renda e a outra muda a operação de bens e serviços. Mas repito, tem que ser feita por inteiro e não devagar”, destacou.


Idalino Souza disse que a mudança da pessoa física será a menos atingida. “No meu entender a pessoa física não terá tantos benefícios. Estamos com defasagem de tabela desde 2015. Existe o lado não tributável até pouco mais de um salário-mínimo. Quem ganha cerca de R$ 2 mil pagaria imposto. Essa correção não precisaria de projeto de lei, mas algo automático que não penalizasse as pessoas com menor poder”, explicou.


As alíquotas, segundo o economista, também não sofrerão alterações. “Quem recebe R$ 100 mil ou mais pagará o mesmo percentual de quem recebe bem menos. Nesse ponto a alíquota seria a mesma. Isso precisa ser corrigido”, comentou Idalino. Outro ponto a ser revisto é sobre ao Programa de Apoio ao Trabalhador, que poderá ser alterado.


O limite de renda para declarar o imposto poderá também ser revisto. “Quem tiver condições poderá fazer a declaração simplificada, que já é um cálculo feito de forma mais imediata, se a necessidade de toda a papelada no final. Esse sistema já é programável na Receita Federal. Ao invés de R$ 60 mil ano, será R$ 40 mil ano. Na redução do modelo simplificado, quando a pessoa tiver 2 empregos, chegando a 60 mil fatalmente ela vai ir para o simples. Mas quem receber 40 mil poderá ter uma tributação maior. Neste ponto o trabalhador será espremido ainda mais. Por isso que não sou favorável a uma reforma fatiada”, detalhou Idalino.


Perguntado se haveria clima para votar no Congresso, o economista disse que existe muitas discussões em meio a uma pandemia no país. “Se esse projeto não for aprovado até dezembro, segue tudo como antes. Infelizmente o comportamento dos congressistas é de barganha política. Ser não for assim não anda. É algo que precisa ser visto com seriedade, a fim de não prejudicar ainda mais a vida do contribuinte brasileiro”, alegou o economista.



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Foto: Cláudio Leite