Nossa Opinião: Paz no Trânsito, paz interior!


Prezados ouvintes,


Durante o mês de maio, está-se vivenciando a campanha contra os acidentes de trânsito que têm deixado muitas famílias desintegradas, órfãs de pai ou de mãe. A campanha é bem-vinda, pois, em se tratando de trânsito, nas rodovias e estradas, ou nas ruas e avenidas, em todo o país, tem-se a impressão de se viver uma constante guerra.


Por que tantas mortes no trânsito? Em primeiro, pela falta de consciência quanto à legislação. As leis existem para serem obedecidas. É preciso ter conhecimento da legislação, com uma maior preparação para a direção de veículos automotores. Em segundo, é preciso enxergar no carro um meio de transporte, e não uma arma. É para a mais rápida e eficiente locomoção que os meios de transportes existem, e não para a matança generalizada, como vem ocorrendo nos países em desenvolvimento.


Ter um carro não pode equivaler a possuir uma arma. Ainda, quem sai de casa com certo atraso, não pode reivindicar para si o direito de tirar vantagens sobre os outros, para chegar a tempo ao trabalho, ou a outros compromissos. Isso é um grande sinal de pequenez, de ignorância e de arrogância desmedidas. Pena é que certas autoridades se servem desses requisitos para espalhar mau exemplo à população.


Ultimamente, famosos, pessoas tidas como referência nos meios artístico, esportivo ou dentre as autoridades têm partido prematuramente por causa da violência absurda com que se comportam os motoristas: embriaguez, cansaço exagerado, desobediência às normas de segurança, arrogância, impaciência, irresponsabilidade. Tudo isso aponta para o corredor infinito da morte de inocentes. As estradas brasileiras, em tempos de festas ou de feriados prolongados, tronam-se caminhos da morte.


Nos centros urbanos, motoqueiros dão forte aso à morte, pois têm a impressão de que o uso da motocicleta é para a total irresponsabilidade, para a ameaça à vida alheia e para a vantagem sobre os demais meios de transportes. Andar por sobre calçadas, avançar sinal, fazer manobras proibidas estão entre as principais causas de acidentes nas vias urbanas.


Enquanto isso, famílias veem seus entes queridas partirem prematuramente, deixando uma ferida eterna no coração dos pais, esposa ou esposo, filhos e demais parentes. Assomem-se a isso as inúmeras despesas com o tratamento traumático nos hospitais, cujo espaço deveria estar a serviço de outros enfermos. É uma quantia absurda que se gasta anualmente no tratamento das vítimas do trânsito. E sabe qual a razão?


No Brasil, a irresponsabilidade vem ganhando tons de heroísmo. A ignorância vem sendo exaltada, e a educação, cada vez mais, rebaixada. Educação para o trânsito! Eis uma palavrinha mágica que é capaz de reduzir a mortalidade nas vias. Para isso, é preciso começar por certas autoridades que, achando-se no poder, pensam ter o direito de desfazer no cidadão comum, e, o que é pior, leva-lo à total desobediência ao que é ético, nobre, digno e respeitoso. Os rótulos DEUS, FAMÍLIA E PATRIA deveriam se fazer presentes nas atitudes e não em certos discursos de camuflagem.


Chega de violência! Chega de morte no trânsito! Vamos nos reeducar para vida e para a cidadania, sem armas, sem ódio, sem irresponsabilidades. Educação se faz com bom exemplo.



Essa é a nossa opinião.


(Editorial exibido em 13 de maio de 2022, dentro do Programa “Linha Direta”



Portal C8 Notícias

Foto: Agência Brasil