“Nossa Opinião”: O Sacerdote, um homem dos homens para Deus e um homem de Deus para os homens


Prezados ouvintes,



Por ocasião do dia do padre (04 de agosto), temos a oportunidade de refletir sobre a missão e a vida dos sacerdotes, os chamados padres que tanto bem nos fazem, com seu papel de mediação entre a humanidade e a divindade, ao nos oferecer atenção, perdão, consolo, incentivo, orientação espiritual e, sobretudo o dom da Eucaristia. MAS, QUEM É O PADRE?


Antes de mais nada, convém, com a Carta aos Hebreus, afirmar que o sacerdote é um ser humano retirado de entre os humanos para servir a Deus e aos homens. E, enquanto ser humano, embora em constante sintonia com o Mistério Insondável da Eucaristia e dos demais Sacramento, sobretudo por meios da Liturgia da Igreja, o padre está sujeito às mesmas situações que os demais humanos: é um ser de vontade, de ideias, de opções, de sentimentos, de necessidades. Isso é fundamental para se compreender a vida e a missão de cada sacerdote.


Os cristãos católicos, desde muito cedo, começaram a colocar o sacerdote duma espécie de patamar, distinguindo-os dos demais homens, como se fosse uma espécie de anjos ou “quase-anjos”, seres quase incorpóreos e desencarnados da realidade presente. Não é bem assim! Em primeiro, convém mostrar que o padre, como qualquer outro ser humano, é uma pessoa situada na história, na cultura, na mentalidade de cada época. E, por isso, está sujeito a opções erradas, a escolhas não perfeitas, tanto quanto os demais.


É exatamente aqui que reside o valor inestimável do sacerdote, conforme já afirmou o Apóstolo Paulo: ele “carrega um grande tesouro em vaso de argila”. Ou seja, mesmo sendo uma pessoa limitada, no tempo e no espaço, além da compreensão que ele tem da realidade, que pode ser também limitada, carrega o tesouro de atualizar em nossa vida a Eucaristia, o Sacrifício Pascal de Cristo. É, na verdade, uma grande demonstração do quanto Deus é misericordioso para com todos nós, e sobretudo para com o padre. Se Jesus desejasse alguém incapaz de erros e de falhas, teria ordenado aos anjos, e não aos sacerdotes.


Por isso, ser imperativo aos cristãos, aos paroquianos de cada freguesia rezar pelo seu padre, pelo bispo, pelo Papa, pois, na pessoa tão sujeita às falhas humanas, Deus depositou um dom especial, pelo Sacramento da Ordem. Se compreenderem bem isso, os católicos devem amar mais, apoiar mais, orientar melhor os sacerdotes, porque eles estão na mesma condição que os nossos familiares, quanto à conduta, mais trazem consigo algo que só Deus pode oferecer aos seus Filhos e Filhas: o Perdão e a misericórdia.


Antes, porém, de criticar os padres que erram, que cometem falhas, devem os cristãos se lembrar de que eles são humanos que carregam o Sinal da Divindade, pelo Sacramento, que os tornam aptos a perdoar, ensinar, santificar e interceder por cada pessoa diante de Deus.

Não é preciso colocar o padre num patamar superior. Basta lhe dar o devido lugar, nas famílias, na comunidade de fé, e ajudá-los a superar os enganos, os erros e as falhas. Da mesma forma que perdoamos e compreendemos os filhos, o esposo ou a esposa, o pai ou a mãe e os irmãos, quando esses comentem delitos ou incorrem em falhas, devemos perdoar nossos sacerdotes quando comentem suas fraquezas, porque, repita-se, são seres humanos.


Neste dia do padre – especialmente do pároco – é preciso celebrar como se fosse o dia de alguém que nos é familiar, que se envolve conosco, na ternura, na misericórdia e no perdão. Afinal, quem nunca precisou de um conselho, de uma palavra abalizada de um sacerdote?


Ao avistar um padre, devemos ter a consciência de estarmos diante de um ser humano, sujeito a erros e a acertos, mas diante de alguém que nos oferece Deus, independentemente de ser um santo ou um pecador. Rezemos pelos sacerdotes, pedindo a Deus a graça da perseverança, da misericórdia, mas dando-lhes o tratamento devido, conscientes de que não são deuses, nem semideuses, mas apenas seres humanos envoltos no mistério da misericórdia e do amor divinos. São homens de Deus para os humanos e homens dos homens para Deus!


Parabéns a todos os sacerdotes, sobretudo aos que atuam em Sergipe e, particularmente, aos que se doam ao Reino de Deus, na Arquidiocese de Aracaju. Viva nossos padres!



Essa é a nossa opinião.




(veiculado no dia 05 de agosto de 2022 dentro do Programa “Linha Direta”)




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Foto: Canção Nova/divulgação