“Nossa Opinião”: Meu Querido Sergipe!


PREZADOS OUVINTES,


Hoje, celebramos duzentos e dois anos de emancipação política de nosso querido Estado de Sergipe, quando se tornou Província autônoma, desmembrada do vizinho Estado baiano, por decreto de Dom João VI. Foi um ato memorável, pois os sergipanos passariam a ter um estado próprio, com suas riquezas e com seus desafios de gerir a administração, de prover sua organização e de se manter, daquela hora em diante, como um estado autônomo, integrante do Império.


Transcorridos dois séculos, eis-nos aqui, contando nossa história, contemplando nossos erros e acertos, nossas vitórias e derrotas, nossas maravilhas e nossas misérias. Nesse período, convém ressaltar nossa grandiosidade cultural, parte constitutiva do nosso ser sergipano: o casario colonial, com os monumentos históricos de São Cristóvão e de Laranjeiras; a Colina de Santo Antônio, com a procissão do Bom Jesus e a festa da Conceição; o arrasta-pé da Rua São João, nossa belas praias; o barco de fogo de Estância, o Parafuso de Lagarto, os Bacamarteiros de Carmópolis; as cabacinhas de Japaratuba, o Lambe sujo e os Cabloquinhos de Laranjeiras; o Congado, o Reisado, a Chegança, as Taieiras, no Vale do Cotinguiba; o Mastro, em Capela; as Catadeiras de Mangabas, em São Cristóvão, Santa Luzia e Itaporanga; o mela-mela em Neópolis; as farinhadas de São Domingos e Campo do Brito; os Pilões da Ribeira, o Poço da Moças, a Igreja Velha, com Santo Antônio Fujão, em Itabaiana; o Cangaço em Alagadiço; a arte de Véio, em Glória, o Milho em todo o Sertão, com as pegas de gado e as vaquejadas; o Jegue, em Itabi; a Carne do Sol, no Cedro e em Aquidabã; os Penitentes de Nossa Senhora das Dores; o pirão de peixe em Propriá; o fogaréu, na primeira Capital, e as inúmeras riquezas expressas em Cordel, Poesia, Música, prosa e verso, nos quatro cantos deste pequeno grande estado... Que Tesouro!


Ah! Como esquecer a peregrinação à Divina Pastora, a Romaria de Aparecida, e os Campos da Imperatriz, enfeitados de rendas? Como não mencionar os inúmeros credos religiosos, da Umbanda, do Candomblé, do Evangelismo, do Espiritismo e de místicas orientais? E Clemilda, Maria Feliciana, Santo Souza, Pezão, João Sapateiro, Tobias Barreto, João Rodrigues, Armando Fontes, Dona Bebé, Padre Pedro? Toda essa mistura de ritmos, de sons e de cores, de ascese e mística, de variados saberes formam o tecido sociocultural de nosso diminuto Sergipe.


E as riquezas naturais e minerais: a Imbura, a Serra de Itabaiana, a Cachoeira de Macambira, a Caueira, a Praia do Saco e do Abaís, o cânion do Velho Chico, a Gruta do Angico, o Parque dos Falcões, a Croa do Goré, só para citar algumas? E o Petróleo, a Ureia, a Amônia, o Gás Natural? Ah, meu nobre e caro Sergipe, como és Rico! Como são admiráveis tuas terras benditas, do sertão ao litoral! É tudo motivo de gratidão à Mãe Natureza, que te dotou de tantos dons, sinais de grandiosidade... e a tua gente, que fez e faz bonito, na música, na pesquisa, na poesia, na economia, na filosofia, na Teologia, no Direito! Quantas riquezas tens, Sergipe Querido!


Mas, uma coroa de espinhos te circunda a alma: as favelas, os analfabetos, os sem-terra e sem-terra, os desempregados, os famintos, os excluídos... Aqui reside um contraste imenso e vergonhoso: por um lado, és tão rico e exuberante... por outro, vergonhosamente atrasado, pobre e pisoteado... vêm à mente as palavras do Poeta Sertanejo Flávio Leandro:


Eu sei que a chuva é pouca e que o chão é quente

Mas tem mão boba enganando a gente

Secando o verde da irrigação

Não, eu não quero enchentes de caridade

Só quero chuva de honestidade

Molhando as terras do meu sertão.


Ah! Meu Querido Sergipe! Como teus filhos e filhas gostariam de te ver robusto, protegendo os teus, sem discriminar, sem desviar, sem omitir, sem ocultar, sem fome, nem miséria, nem desvios malditos que retiram ao doente o remédio, e ao faminto um prato de comida; à criança, a educação, ao idoso a atenção e ao jovem a esperança no futuro. Sonho contigo, um Estado maduro, forte e independente. Só assim poderemos cantar teu brioso hino:


“Alegrai-vos, sergipanos Ressurge a mais bela aurora Alegrai-vos, sergipanos Ressurge a mais bela aurora”.



Essa é a nossa Opinião.



(Veiculado no Programa “Linha Direta” de 08 de Julho de 2022)



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Foto: Portal JL Política/divulgação