“Nossa Opinião": Intolerância gera violência


PREZADOS OUVINTES,


Estamos diante de uma pré-campanha política, mais uma vez polarizada, acirrada e com suspeitas de incidentes de violência, em nosso querido e amado Brasil. A situação tensa é preocupante, pois a campanha política se presta ao debate de ideias, de projetos futuros, de realizações que concretizem, num curto espaço de tempo, a cidadania e a dignidade dos brasileiros.


Há algum tempo, uns figurões da política tiveram a triste e reprovável atitude de despertar, nas pessoas de seus seguidores, um gosto especial pelas armas, pela intolerância, com o já conhecido gesto de dispara arma de fogo. Além disso, pousa-se ao lado de crianças, gesticulando, no sentido de apontar armas, de metralhar os adversários, de eliminar quem pensa de forma diferente.


Os mais desavisados entendem que isso é um gosto pessoal e que cada candidato apresenta aquilo que pensa, o que pretende para o povo brasileiro. Mas, na verdade, se trata de um atentado à democracia, ao debate de ideias, por manter a postura de que quem pensa de forma diferente deve ser eliminado, porque constitui uma ameaça à corrida ao poder. O Regime democrático pressupõe exatamente isso: a pluralidade de ideias, porque a sociedade é plural, sobretudo quando se pensa um país com proporções continentais como é o Brasil.


Tal postura tem início, de forma velada, com xingamentos a repórteres, com ataques às mulheres, aos jovens estudantes, aos líderes sindicais, aos defensores da natureza, aos defensores dos direitos humanos. Aos poucos, as palavras agressivas vão se transformando em gestos agressivos, como o vergonhoso ato, na festa do Mastro em Capela, quando os integrantes da Imprensa foram covardemente atacados.


O que justifica o ataque à imprensa? Que motivação pode ter um indivíduo, ou um grupo de indivíduos que precisa se travestir de brincantes numa festa popular, para – de maneira covarde – atingir pais e mães de famílias, cidadãos de bem que estão trabalhando, defendendo seu sagrado pão? É fruto do incentivo que se vem fazendo ao recurso das armas, à violência desmedida e à brutalidade de quem se julga superior aos demais cidadãos. Alguns ainda incham o peito para se dizer cristãos. Infeliz apelido! Onde já se ouviu dizer que Jesus é a favor da violência ou que tivesse justificado atos de violência?


O país inteiro assistiu ao brutal assassinato do jornalista Tom Philips e do indigenista Bruno Pereira. Num país em que defensores dos direitos humanos são confundidos com bandidos, o saber emudece para dar lugar à estupidez desenfreada. E foi a estupidez quem eliminou os dois líderes dos indígenas. Igualmente, foi a estupidez insensata que permitiu aquela cena terrivelmente lamentável do assassinato de um guarda municipal, que comemorava seu aniversário com um tema de gosto pessoal.


Se essa estupidez intolerante não for refreada, o mais rápido possível, o país corre o sério risco de uma campanha politica de brutamontes, de ignorantes, de terríveis crimes em nome de Deus, da Pátria e da Família. Nem Deus, nem a Pátria, nem a família podem concordar com atos de brutalidade e de intolerância.


O Estado Democrático de Direito deve imperar. Bandeiras políticas divergentes é um prato cheio à efetivação da democracia. Mas é preciso respeitar a todos, indistintamente. Só não se pode respeitar aquele que semeia violência. O momento é grave e exige atitudes de tolerância, de respeito à individualidade de cada pessoa. Campanha política que se preza é campanha democrática, que semeia valores que enriquecem a vida em sociedade. Basta de barbárie!



Essa é a nossa opinião.



(Veiculado no Programa “Linha Direta” do dia 15 de julho de 2022)




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Foto: Comunica que muda/divulgação