Nossa Opinião: Bolsa combustível em período eleitoral


PREZADOS OUVINTES,


Em ano de eleição, surgem surpresas admiráveis, disfarçadas de políticas públicas, mas com objetivos bem definidos. Neste ano, não poderia acontecer de modo diferente. As investidas do atual Presidente da República, no que atine ao Auxílio Brasil, que tem prazo até novembro próximo, à liberação do décimo quarto salário para os aposentados, só a título de exemplo, demonstram que os interesses não se voltam para a real solução dos problemas, mas têm o objetivo de angariar votos, no próximo pleito.


Outra grande medida, que tem causado surpresa a todos, é o auxílio-combustíveis, que o Senado Federal aprovou, e está aguardando a aprovação na Câmara Federal, uma espécie de bolsa de trezentos reais mensais para que profissionais do transporte autônomo possam receber, com a finalidade de baratear o preço da gasolina. Vai ser um Deus nos acuda, em ano eleitoral, uma façanha desta!


Inicialmente, pensa-se que os maiores beneficiários devem ser os destinatários do Auxílio-Brasil, uma categoria que, em tese, não tem veículos automotores, em sua grande maioria. Aliás, nem mesmo o que comer os pobres têm. Certamente, o auxílio-combustíveis, se aprovado, não vai atender aos mais necessitados e, ainda que atendesse, não nos parece a melhor alternativa, nesta hora dificílima por que o mundo está passando. Haveria outras saídas para o problema dos constantes aumentos no preço dos combustíveis?


Desde que a Petrobrás está nas mãos de investidores, o preço dos combustíveis tem aumentado regularmente, para satisfazer aos lucros dos novos donos da Petrolífera. Ao legitimar o auxílio-combustíveis, os legisladores estarão aplaudindo a desenfreada corrida aos lucros praticada pelos investidores da Petrobrás. É como se estivessem dizendo: para que os investidores tenham lucros altíssimos, o país, ao menos em ano de eleição, bancará alguns litros de combustíveis para determinadas pessoas, com o dinheiro público que deveria ir para outras necessidades básicas. É um flagrante desvio de finalidade do dinheiro público.


Políticas afirmativas são bem-vindas, porque compensam certas pessoas, pela canga histórica da exclusão social. Mas, francamente falando, este tipo de assistencialismo barato é uma tentativa de fingir que tudo está bem, desde que o mercado obtenha lucros desmedidos. É uma vergonha camuflar o problema, ao invés de o encarar da forma devida.


Ao invés de auxílio-combustíveis, devem-se gerar empregos, geração alternativa de renda, redução nos lucros dos grandes magnatas do petróleo, tributar às grandes fortunas, punição ao capital improdutivo, que só vive de especular e de explorar os pobres, sem nada produzir, sem trazer desenvolvimento social, sem atenção alguma aos pobres que morfam nas filas da Previdência, dos Hospitais.


Em tempos de eleição, até o anticristo beija a cruz em troca votos.


Esta é a nossa opinião.



Portal C8 Notícias

Foto: Feepik