Nossa Opinião: "As eleições de 2022 trazem acontecimentos que beiram o ridículo"


Durante o programa jornalístico "Linha Direta", desta sexta-feira, 14, foi veiculado mais um editorial "Nossa Opinião". Nesta edição, o quadro aborda as consequências da atual fase política e pandêmica do Brasil, frente às eleições de 2022.

Confira na íntegra:


As eleições de 2022, já em franca articulação pelos partidos políticos, dão ensejo a uma série de acontecimentos que beiram o ridículo, diante de um momento tão dramático por que estamos passando. A atual situação econômica e política, aliada à situação catastrófica com que o Brasil enfrenta a Pandemia, dá amostras de que o país está atolado em lamaçal profundo.


Faltaram políticas de prevenção, assim como faltam atitudes no enfrentamento da covid. Falta investimento na saúde, e sobra gente morta, ou infectada. Faltam vagas nos hospitais, falta atenção básica às famílias infectadas pelo vírus. Falta seriedade na gestão dos recursos, sobram incompetência, descasos, omissões e indiferença.


Na proporção inversa, sobram atitudes desrespeitosas, indecorosas, criminosas em relação à imunização pela vacina contra o coronavírus. A lentidão do governo federal dá indícios de que as preocupações com o bem-estar dos brasileiros estão em último lugar. De igual modo, os identificáveis desvios de verbas, as omissões e as manobras ilícitas de muitos gestores estaduais e municipais dão conta de que o povo serve apenas para trabalhar, votar, pagar tributos e ser manipulado.


Agora, em quase todos os estados, e na Federação, saltam aos olhos inúmeras CPIs, (comissões parlamentares de inquérito), com a finalidade de apurar desvios, omissões, má gestão das verbas para combater o coronavírus. Entretanto, sabe-se muito bem que o objetivo principal é despertar, no imaginário coletivo, a sensação de que haverá uma moralização da política, no Brasil.


Quem não se lembra do mensalão? E da Operação Lava-Jato? E dos inúmeros escândalos anteriores, como o esquema das ambulâncias, da Pasta Cor-de -Rosa, das inúmeras fraudes à Previdência? O povo permanece sendo um detalhe. Uma CPI, neste ano, teria o principal objetivo de apurar os fatos, punir os culpados, devolver o dinheiro ao erário, ou apenas o de fazer amarrações políticas, no sentido de organizar mais um esquema para o ano de 2022?


O que se viu, no Senado Federal, quando senadores se tratam com adjetivos indevidos, dando amostras de que o Congresso Nacional está muito mal, em termos de seriedade, guardadas as devidas proporções. Mas, ao mesmo tempo, é um aceno para um vazio ético. Não é com a defesa de posturas caseiras, que se vão apurar os erros e as maldades presentes na administração pública. Antes de tudo, é preciso rever a representação dos Estados e dos cidadãos. Políticos sérios e honestos são pressupostos para a moralização na vida pública. Com essas atitudes indecorosas, jamais haverá apuração séria de possíveis desvios de verbas ou de conduta, no âmbito da administração pública, nas três esferas. Está na hora de o Brasil repensar o papel do voto livre e consciente. Mas, convenhamos: quem vende voto não pode cobrar atitude séria de qualquer político.


Essa é a nossa opinião


Por Portal C8 Notícias

Foto: Ana Volpe/Senado Federal