“Nossa Opinião”: A paz no trânsito e o sagrado direito de ir e vir


PREZADOS OUVINTES,



Registram-se cada vez mais, em maior número, os muitíssimos acidentes de trânsito, seja nas vias urbanas, seja nas vias intermunicipais ou interestaduais. O fato é que muita gente, sobretudo gente jovem, tem ficado sem condições para o trabalho digno, sinônimo de subsistência e/ou da família, quando não ocorre o óbito. A situação fica mais dramática quando crianças, na mais tenra idade, ficam órfãs, sem a garantia de um futuro promissor.


As razões para o aumento exagerado de acidentes com vítimas são inúmeras: sinalização obstruída, malha asfáltica irregular, com vários buracos, falhas mecânicas; mas a que mais chama a atenção é a irresponsabilidade dos condutores que fazem de seus veículos verdadeiras máquinas mortíferas, ou, quando não, armas de suicídio. A irresponsabilidade dos condutores de motos ou de carros varia, desde o avanço de sinais, a conversão proibida, latas velocidades, ultrapassagens proibidas até a famosa embriaguez ao volante.


Com a volta das muitas festas de fim de semana, preparando-se o terreno para a campanha política, o número de veículos em circulação, nos fins de semana, aumentou consideravelmente. Com eles, a embriaguez, a irresponsabilidade, o desejo de sempre levar vantagens sobre os outros... tudo isso traz o aumento de acidentes com vítimas fatais ou com mutilações e traumas que marcarão uma vida inteira.


O trânsito, como o próprio nome sugere, é um instrumento de locomoção, para facilitar o direito de ir e vir. É pelo trânsito que acontecem as visitas, o fornecimento de produtos, as consultas aos profissionais de saúde, a experiência estudantil, o trabalho sagrado de cada dia, o lazer, a cultura, a música, o esporte. Tudo, absolutamente tudo, depende de um excelente sistema de trânsito para tornar mais eficiente a locomoção. O ser humano é essencialmente um ser social e desenvolveu as estradas, as rodovias, as ruas. As vias marítimas, aéreas e terrestres servem a essa finalidade: o ser humano precisa de se comunicar, interagir, participar da vida em sociedade. E isso só é possível graças aos mecanismos de trânsito.


Nosso sistema de trânsito possui normas específicas que servem para a conscientização dos jovens e adultos que, obedecendo à legislação de trânsito, é possível empreender todas as idas e vindas, sem qualquer problema. Basta um instrumento chamado EDUCAÇÃO, palavra mágica que nos tem tirado o sono. É que se desvaloriza, cada vez mais, a educação; faltam verbas para a pesquisa científica; há afrouxamento das normas de trânsito, em virtude de algumas autoridades destituídas de bom senso assim o desejar. O trânsito perde o seu primeiro sentido, o da locomoção, da ida e da vinda, para se transformar em campo minado, campo de guerra. Poucas guerras matam mais pessoas do que os acidentes de trânsito.


Que nossas autoridades favoreçam a paz no trânsito; que os condutores se reciclem; que seja mais exigente o processo seletivo para condutores; que as escolas adotem, em seus currículos, a disciplina educação para o trânsito; que os meios de comunicação se encarreguem de campanhas constantes, patrocinadas com o dinheiro que está sendo alocado para os partidos políticos. Assim, nossas famílias sentirão o prazer de se servir do trânsito para tudo o que lhes for necessário, sem o trauma da morte, da mutilação e da incapacitação para o trabalho, sem o crescimento da orfandade e sem a pesada despesa que a saúde pública enfrenta para curar os acidentados. Paz no trânsito! Ele surgiu para o congraçamento, para a integração e não para a morte. Vida sobre duas rodas é mais gostosa numa motocicleta do que numa cadeira.



Essa é a nossa opinião.



(veiculado no dia 29 de julho de 2022, dentro do Programa “Linha Direta”)



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Foto: Agência Brasil