“Nossa Opinião”: A fome está imperando


Prezados ouvintes,


Cresce assustadoramente o contingente de pessoas famintas, sem emprego, sem educação, sem ocupação e sem moradia. Dados, divulgados na grande mídia, indicam que cerca de 50% da população brasileira se encontra em situação de insegurança alimentar, ou seja, não tem certeza quanto ao futuro, no que toca à alimentação. Esse número é assustador.


Pior mesmo é contar mais de 33 milhões de miseráveis famintos, num país que é campeão em produção agrícola. Dados revelam que, nos últimos dez anos, houve dobra no número de famintos. Seis, em cada dez famílias lideradas por mulheres, não têm acesso á alimentação saudável e diária. Muitas pessoas têm apenas uma refeição por dia. A situação, no Norte e no Nordeste do país, é a pior possível. Quando falta comida, não há cidadania, porque faltou o respeito do país para com os seus cidadãos. Todos merecem o mesmo tratamento!


No quesito alimentação, o Brasil ocupa a centésima décima colocação. Isso é imensamente vexatório, quando o país ocupa a décima terceira posição entre as economias mais ricas do mundo. Então, pergunta-se: quais as causas do crescimento assustador da fome? A resposta é óbvia: Inflação, desemprego, falta de assistência social, ausência de programas que garantam o mínimo de dignidade aos pobres e excluídos, desrespeito ao cidadão.


A política econômica adotada pelo governo, nos últimos anos, tem desviado o foco da assistência aos pobres, porque isso é economicamente encarado como prejuízo. Quem tem o ingente dever de cuidar dos pobres, disse, esta semana, em tom de desprezo: “e daí? Eu não sou cozinheiro”! Não! Não é preciso ser cozinheiro, açougueiro, agricultor ou nutricionista! Basta ter sensibilidade, sanidade o suficiente para não brincar com coisa séria, como é a vida das pessoas carentes. Basta ter a hombridade esperada de um chefe de estado, para entender que a fome é uma chaga social que deve ser afastada, para o bem de todos. Quem come churrasco a preço de ouro e quem troca projetos educacionais por carregamento de bíblias e de barras de ouro perde a sensibilidade para com a dor da fome e da exclusão. Dói não ter o que comer... alguém já experimentou dormir com fome? E trabalhar com fome? Não é digno!


O mundo dos lucros e das vantagens tem se sobreposto á dignidade da pessoa. Houve cortes significativos nos direitos dos cidadãos; projetos sociais foram abandonados e destruídos. O resultado é vergonhoso; já dizia o inesquecível Betinho: “quem tem fome tem pressa”. Não dá para encerrar programas voltados para os mais pobres, de um dia para a noite, sem haver uma substituição eficiente e eficaz. Não falta comida; está faltando solidariedade e sensibilidade. O individualismo está matando o povo de fome.


Se a economia, ao menos, estivesse a passos largos, alguns beneficiários poderiam comemorar... Mas nem isso se vê. Então, está na hora de a sociedade civil organizada se juntar e encampar campanhas em prol dos famintos. É preciso fazer parcerias urgentes, para que a fome não impere sobre os pobres neste imenso Brasil. O que deve imperar é a paz, fruto da justiça, e não a fome. Matar a fome, mais do que obra de misericórdia, é um ato de amor à vida de todos, um sinal de respeito, um grande ato de religião que agrada a Deus. Lembremo-nos das Palavras do Mestre de Nazaré: “eu tive fome e me destes de comer. Eu tive sede e me destes de beber...” Pátria amada é povo nutrido, saudável, cuidado e amado, sem fome, sem medo e sem exclusão.



Essa é a nossa Opinião.



(veiculado durante o “Linha Direta” do dia 10 de junho de 2022)



Portal C8 Notícias

Foto: Adobe Stock/divulgação