Nossa Opinião: Ética na Política e na vida


PREZADOS OUVINTES,


Estamos em ano eleitoral e, pelo andar da carruagem, não teremos um pleito eleitoral imune a baixarias, notícias falsas, xingamentos, injúrias, mentiras e agressões recíprocas. O cenário nacional revela uma espécie de aporia, de “se correr, o bicho pega e, se ficar, o bicho come”. Não há novidades, nem programas espetaculares que revelem um novo tempo para um país que vem, há tempos, mergulhadas num mar de lamas, quando o assunto é política.


Tanto em âmbito estadual quanto nacional, as chamadas forças partidárias, ou as lideranças políticas, fazem seus conchavos, muito mais para a arrumação da vida pessoal dos políticos de plantão – aqueles que não sabem fazer outra coisa, não têm uma profissão senão a de estar dependurados nos cargos públicos – do que pensando no bem-estar da população.


Em nome das arrumações, da busca de apoio para as candidaturas majoritárias, fatos e acontecimentos mais estranhos se mostram, como as querelas que envolvem o STF, numa tentativa atrapalhada, atabalhoada, destituída de honestidade de transferir o problema. A recorrente acusação de que quem não apoia certo segmento político é comunista; o perdão concedido a um parlamentar que se excedeu e arranhou o pacto social entre os três poderes.


Já, da outra parte, assistem-se a conchavos mais esquisitos, como o apoio do ex-governador de São Paulo ao candidato da oposição que, no último pleito, eram adversários ferrenhos, com ideologias contrárias. Qual a razão de tudo isso? Uma única: a busca desenfreada pelo poder que ofusca a ética, a boa-fé com que deveriam se comportar todos os candidatos a um cargo público. Até bem pouco tempo, houve quem dissesse: bandido bom é bandido morto; agora, bandido bom parece ser quem tem chances de ser apadrinhado por interesses fora da ética e da moral.


Mas, se os maus políticos estão assim é porque fazem parte de nossa sociedade. Não são alienígenas, extraterrestres. São cidadãos e cidadãs, integrantes de nosso convívio. Muitas vezes, quem é antiético é o cidadão que não devolve o troco na mercearia, que não respeita a vaga de idosos, no estacionamento, que usa da força econômica para tirar vantagens sobre os outros, que passou o período escolar colando nas provas, que se habituou a levar vantagens em tudo. Há até quem queira levar vantagem na fila da comunhão, na igreja!


Então, o que se vê, no âmbito da política suja, é um reflexo daquilo que o Brasil construiu, desde o seu nascimento. Somos um povo que, com algumas exceções, não gosta da ética, que não respeita as leis, que não leva a sério o dever de respeitar o espaço alheio. É só conferir, no fim de semana, o número de acidentes com vítimas, por desrespeito à legislação de trânsito; o volume do som, no porta-malas de carros, o desrespeito ao idoso, à criança, ao Professor, aos pais e mães. Estamos imersos num caos ético, sem rumo e sem direção. Está faltando formação séria para isso. Falta testemunho de muitas autoridades. É inconcebível ver alguém se orgulhar dos erros e dos maus costumes de certos mandatários. Então, como exigir ética na política, se estamos repletos de falta de ética?


A verdadeira mudança está num sério e competente projeto educacional, na família, na escola, na igreja, na sociedade. Quem se arrisca a fazê-lo?



Essa é a nossa opinião.



(Veiculado no “Linha Direta” de 29 de abril de 2022)



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Foto: Agência Brasil