FORMAÇÃO: “Não tenhais medo!”


Padre Everson Fontes Fonseca,

Vigário Paroquial da Paróquia São João Batista (Conj. João Alves)



“O Senhor é a força de seu povo, fortaleza e salvação do seu Ungido. Salvai, Senhor, vosso povo, abençoai vossa herança e governai para sempre os vossos servos” (Sl 27,8-9).


Com estas palavras deste Salmo, temos a séria recordação da força que é Deus e daquilo que somos, fracos e necessitados Dele. Assim, diante do Senhor, nossa força, somos capazes de perceber que, muito mais do que um socorro que vem em auxílio da nossa debilidade, a proteção de Deus em nosso favor é uma manifestação fiel da Sua graça. Tudo isto consoante aos nossos amor e temor, que têm como resposta a condução e a firmeza da nossa vida nas trilhas deste mundo sob a luz e o calor do amor divino, de maneira que o Senhor nunca nos deixa ao abandono, e, fazendo justiça à Sua fidelidade, supera as nossas expectativas de Sua misericórdia.


Tomando as palavras extraídas do Evangelho segundo Mateus, contamos com a tríplice exortação de coragem destinada a nós, cristãos, amados por Deus, Ele que nos conhece inteira e profundamente; Ele que nos conhece melhor do que a nós mesmos: “Não tenhais medo dos homens [...] Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! [...] Não tenhais medo! (Mt 10,26.28.31). O Senhor sabe até onde vão as nossas capacidades humanas, e, por isso, assiste-nos com a Sua graça, que “supõe a nossa natureza e a eleva”, como diz Santo Tomás de Aquino. Entretanto, Deus sabe o “tamanho” (se é que podemos dizer assim) da nossa fé e da nossa ação adicionada a fé, em relação com o Seu poder.


Sim, Deus nos conhece as forças e as fraquezas, é o que nos garante Jesus, que nos dá a Sua providente assistência e grande valor: “Até os cabelos da vossa cabeça estão contados. [...] Vós valeis mais do que muitos pardais” (Mt 10,30.31). Este conhecimento é para nós motivo de alegria. Não porque acontece a seguinte equação: “no que me carece, vem o Senhor em meu auxílio”; mas, antes de tudo, porque a graça amorosa de Deus nos preenche, de maneira que o Senhor não apenas nos compensa, como, com largueza, distribui-nos o Seu amor, “o dom gratuito concedido através de um só homem, Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos” (Rm 5,15). Assim, como Jeremias, podemos exclamar: “Cantai ao Senhor, louvai o Senhor, pois ele salvou a vida de um pobre homem das mãos dos maus” (Jr 20,13).


Corajosamente, vale a pena tudo sofrer, tudo enfrentar por amor a Deus. Esta lição dada pelos santos, em especial pelos mártires, é grande incentivo de perseverança. Deve estar escrito em nosso coração o que canta o salmista: “Por vossa causa é que sofri tantos insultos...” (Sl 68,8). Insultos físicos ou morais, tudo sofrermos por amor ao Senhor, sempre na obediência à verdade e à justiça, para recebermos do próprio Cristo, diante do Pai, no Espírito Santo, um positivo testemunho de amor, que nos coroará com o prêmio da vitória do Céu. Enquanto tal plenitude não nos chega, ecoe no nosso coração as reconfortantes palavras do Onipotente: “Não tenhais medo!”.


Falando como pai ao filho, alento-lhe com as palavras de Jesus, principalmente nestes tempos dificilmente assustadores: “Não tenhais medo!” (Mt 10,31). Deus sabe, querido filho, da nossa capacidade nas virtudes, e a respeita. O que realmente nos cabe é a coragem, pois tudo passará. O Senhor é forte e venceu o mundo. (cf. Jo 16,33). Coragem! Não tenhais medo!