“A Rússia mostra poderio para frear a OTAN”, destacou Professor


O conflito entre a Rússia e a Ucrânia foi à temática da entrevista desta quinta-feira do Programa “Cultura News” da TVC, cana 7.1. O Professor Substituto do Departamento de Relações Institucionais da Universidade Federal de Sergipe, Alcides Peron, falou sobre as origens deste ato e as consequências que pode deixar para todo o mundo.


No principio o estudioso comentou sobre o motivo desta invasão por parte da Rússia. Para ele, a origem está na grande mudança da politica mundial com o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. “A Ucrânia fazia parte do grande poderio soviético, que chegou ao fim em 1991. A Rússia permaneceu com seu poder bélico e territorial e não aceitava ter a influência da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A instituição, que surgiu após a Segunda Guerra, começou a influenciar demais países do leste europeu até chegar aos ucranianos. Para os russos, isto seria uma perda de força”, destacou.


Questionado sobre o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que estaria resistindo junto à população, o Professor disse que ele pode estar em um momento delicado de seu governo. “Foi uma surpresa a atitude dele, um ator e humorista que hoje está no poder da Ucrânia e que está mobilizando os cidadãos. Isso pode ser visto, por um lado, como força politica. No entanto, isso pode expor a todos ao risco de morte, como estamos vendo. Mesmo incentivando a resistência, isso pode ser arriscado”, pontuou Alcides Peron.


Já sobre Vladmir Putin, o estudioso disse que ele está buscando a hegemonia, principalmente na parte energética. “A Rússia tem grandes reservas de gás. Praticamente boa parte do combustível que aquece a Europa no inverno rigoroso vem de lá. E o gasoduto principal entre Rússia e Europa em si passa pela Ucrânia. Por isso que o país está sendo estrategicamente ocupado, não como uma retomada russa do território, mas para frear a influência da OTAN ou demais nações sobre a área”, descreveu.


A reação de países, como os Estados Unidos, também foram discutidas na entrevista. Para o Professor Alcides, a potência da América do Norte dá suporte que for possível. “Diretamente falando o país de Joe Biden não pode ajudar diretamente a Ucrânia, pois poderia ressoar como uma provocação da OTAN, desencadeando um conflito maior. Por isso o Governo Norte-Americano vem sondando naquilo que está ao alcance”, pontuou.


Ao final o especialista da Universidade Federal de Sergipe falou do impacto para o mundo e a imagem do Brasil sobre o confronto. “No primeiro aspecto todo o planeta vai sentir o impacto, pois estamos falando de combustíveis, que é a commodity que move a economia. E sobre o posicionamento brasileiro, houve acerto na condenação da invasão junto a ONU. O que teria provocado certo desconforto foi a opinião pessoal do Presidente Bolsonaro. No entanto, historicamente falando, nosso país busca as soluções de uma forma mais aproximada da grande maioria das nações”, comentou.



Portal C8 Notícias

Foto 1: REUTERS/Bernadett Szabo/Agência Brasil

Foto 2: Arquivo pessoal