“A pesquisa em si reflete o momento que ela foi feita”, diz Cientista Político


As pesquisas são constantemente usadas para avaliar determinada marca, a audiência de uma emissora de rádio e TV e, principalmente, neste momento, nomes no período de Eleição. Mas como ela acontece? Quem pode ser abordado por um entrevistador? Sobre este assunto, o Cientista Político Willian França falou no Programa “Linha Direta”, apresentado por Jairo Alves de Almeida.


De inicio, Willian França comentou sobre os procedimentos para se realizar uma pesquisa. O cientista afirma que o trabalho em si não ocorre necessariamente apenas de forma presencial. “Bem antes da pandemia a pesquisa já era feita via telefone, e não só na questão eleitoral. Fazemos sempre sobre alguma marca, algum estilo, enfim. Ainda usamos a abordagem presencial. Atualmente fazemos nestes dois estilos e utilizamos técnicas de perguntas e respostas”, destacou.


O cientista lembrou que é comum pré-candidatos ou políticos contratarem empresas de pesquisa para ver como está a situação de seu nome no meio do eleitorado. “Suponhamos que um vereador de Aracaju queira saber como está a repercussão dele em determinada comunidade ou na cidade como um todo. A depender do foco, podemos aplicar o questionário. Neste caso o resultado só é divulgado apenas para o contratante, a fim de não se configurar algo ilegal, sem autorização do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe, no nosso caso. Isso chamamos de pesquisa interna, comum neste momento anterior a um pleito”, destacou Willian.


Questionado sobre a importância das pesquisas eleitorais, o especialista disse que ela é peça fundamental para uma campanha. “Ela norteia e dá situações. Estamos agora em campanha majoritária para Governo de Sergipe. Impossível a equipe de um pré-candidato ao cargo estar em todo os municípios. Eis ai que entra a pesquisa, para que as pessoas em diversas regiões possam ser ouvidas. E o resultado é resumido para ser apresentado ao propenso candidato. A pesquisa mostra as realidades de diversas regiões de Sergipe”, comentou.


Perguntado sobre a quantidade de institutos de pesquisa que, em outras Eleições, apareciam apenas na época de campanha, William França destacou que é preciso separar as empresas que atuam no dia a dia. “Infelizmente, em boa parte da nossa sociedade, existem pessoas que não atuam com ética. Acredito que o que pontua uma empresa séria é a qualificação do mercado. Como temos acessos às informações conseguimos identificar as falhas. Isso sem contar como apoio do TSE e do nosso T.R.E., que inibem as tentativas de abuso. Acho que nenhum candidato ou instituição quer levar multas que podem ultrapassar os R$ 50 mil”, alertou.


Durante a entrevista o cientista lembrou que todas as pesquisas que forem divulgadas na mídia precisam ser autorizadas pelo Tribunal Regional Eleitoral. Ele também chamou a atenção para quem se utiliza das famosas “enquetes” e anuncia nos programas de rádio, pois isso pode configurar em algo irregular. “Esses anúncios de enquetes podem acabar atingindo a credibilidade de institutos sérios que tem o lado cientifico para saber a opinião da sociedade. Por isso muita gente critica as pesquisas, não só de agora, mas de outros momentos”, argumentou.


Willian França explicou também sobre a diferença entre pesquisa induzida e espontânea. Para ele, é preciso que o entrevistador anote exatamente aquilo que o entrevistado colocar. “Por exemplo, na pesquisa espontânea o entrevistador não coloca nenhum nome e o entrevistado disse que prefere o Senhor José. Neste caso é ele a preferencia. Já na induzida, o entrevistador mostra uma lista de nomes e ai a pessoa só pode escolher aquela que está lá. E pode ser que o Senhor José não esteja na lista. Por isso que existe uma grande diferença percentual entre o que é induzido e espontâneo”, pontuou.


Ao final o cientista político disse que os pré-candidatos e, mais na frente, os candidatos, não podem confiar cegamente nos resultados. “A pesquisa em si reflete o momento que ela foi feita. Tive casos em que um cliente, que era candidato, estava na frente. Não só no instituto que atuo, mas nos outros, sendo que nos demais ele estava com uma vantagem maior. Veio a contagem dos votos e ele ficou de fora. Uma pequena situação pode mudar o foco do eleitorado e isso vem sendo percebido nos últimos anos”, alegou Willian França.




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Foto: Centro de Pesquisa/divulgação