“É preciso investir em drenagem, pois já virou rotina alagamentos na capital”, diz Professor da UFS


Na última sexta-feira, dia 1° de abril, uma forte chuva atingiu Aracaju. Em poucas horas, o resultado foi alagamento em diversos pontos da cidade. A drenagem é apontada como um dos graves problemas da capital. Sobre este assunto, o “Linha Direta” conversou com o Professor Dr. Gregorio Guirado Faccioli, do Departamento de Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Sergipe.


Logo no inicio, o estudioso explicou a origem da Lei do Saneamento, que está em vigor desde 2017 e que a cada cinco anos precisa passar por uma revisão. “Este plano foi feito por professores da UFS e também do Instituto Federal de Sergipe e o estudo teve a minha coordenação. Identificamos 126 pequenas bacias hidrográficas em toda Aracaju. Apontamos possíveis soluções, mas esse trabalho é preciso de atualização constante”, destacou.


Ele aponta a falta de recursos direcionados para essa questão, o que pode agravar ainda mais o problema da falta de escoamento de diversos bairros. “Sabemos que a pandemia tirou verbas desse setor de obras de contenção. Mas é preciso investimentos, pois a ocorrência de alagamentos em poucos minutos de chuva na capital já virou rotina”, informou o Professor Gregório.


Questionado sobre soluções para evitar isso, o estudioso apontou diversas iniciativas que podem minimizar a ocorrência de enchentes. “Nós analisamos varias possibilidades, desde barras de infiltração até pequenos piscinões. Existem soluções técnicas especificas para cada uma das pequenas bacias no município. Precisamos realmente implantar essas soluções a fim de evitar mais problemas”, destacou.


O Professor Gregório Faccioli lembrou que não basta apenas o Plano de Saneamento Básico. É preciso estar em conjunto com o Plano Diretor da cidade. “Em 2016, quando estávamos elaborando nosso plano, estava tudo favorável para atualizar o Plano Diretor. Participei de muitas audiências e se discutia bastante essas áreas de infiltração. Com esse trabalho coligado, teríamos muitos avanços para evitar ou minimizar as enchentes”, lembrou.


Ao final, o professor disse que é preciso fazer ocupações atendendo a necessidade da população, mas sempre com a responsabilidade de onde vai se ocupar. “Sou morador do Santa Lucia. Já tivemos tempos aqui de passarmos 2 ou 3 dias ilhados sem sair. O conjunto em si foi feito em cima de uma vazante de rio. Precisamos tirar o assoreamento do Poxim e dos demais, mas também evitar que novos locais que são o escoamento natural tenham aterros. No futuro, se nada for feito, as consequências serão danosas”, pontuou.




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