“É apaixonante ensinar e pesquisar sobre Sergipe”, diz Professor


Neste dia 08 de Julho, aniversário da Emancipação Política de Sergipe, o “Linha Direta” com Jairo Alves de Almeida foi bem especial. O programa contou com a presença do Professor Luiz Antônio Pinto Cruz. Ele falou sobre diversos aspectos da história do nosso estado que completa 202 anos.


No começo o Professor comentou sobre o sentido do 08 de Julho de 1820. Para ele, esta foi uma data simbólica, onde houve a assinatura do decreto de Dom João VI. “Ao contrario de muitos povos no mundo, aqui no Brasil pouco tivemos conflitos internos. Sergipe também não teve e conseguiu a sua autonomia por meio de um documento. A principio a carta é bem curta, mas com um belo texto explicitando que Sergipe Del Rey se desmembraria da Bahia. É claro que isso não foi de imediato, pois os baianos não aceitaram. Até que a carta chegou aqui e aos poucos a imagem da província foi se formando”, comentou Luiz Antônio.


Perguntado sobre o motivo de muitas pessoas ainda não terem o sentido do dia de hoje, o especialista disse que isso já vem desta época. “Não havia essa sergipanidade aflorada ainda. Era bem comum os povos daqui se identificarem como estancianos, itabaianenses, lagartenes, ou seja, com cada região. Mas nunca haviam sido considerados sergipanos. Além disto, o ato do 08 de Julho foi apenas normativo, sendo talvez esquecido por muitos. Por isso fazemos questão de relembrar as nossas origens”, apontou.


O Professor Luiz Antônio também foi provocado sobre o que teria levado Dom João VI a separar Sergipe da dominação baiana. Para ele, o Rei de Portugal e Brasil percebeu a lealdade do povo que vivia em nosso território durante revoltas contra a coroa em Pernambuco. “Muitas pessoas que foram lutar lá passaram pelo nosso território. E muitos dos sergipanos que viviam aqui seguiram. Isso fez com que Dom João VI visse um território com povo determinado, além de já se destacar com o gado e a produção de açúcar. Por isso este gesto de retribuição, criando mais uma província”, pontuou.


Luiz Antônio também destacou a importância das diversas regiões econômicas do estado, a exemplo de Itabaiana, Estância, Propriá e Nossa Senhora do Socorro, esta última cidade que fez 158 anos nesta quinta, dia 07. Segundo o Professor, a vizinha cidade da Grande Aracaju teve e ainda tem uma importância impar na economia sergipana. “No passado Socorro tinha as grandes salinas do famoso Rio do Sal, que separava o município da capital. Com a construção do Complexo Taiçoca, praticamente elas foram extintas. Agora temos muitos viveiros de camarão. Fora isso, Nossa Senhora do Socorro é bem desenvolvida na indústria e nos serviços. Ainda é uma cidade promissora”, explicou.


Um dos assuntos que mais chamou a atenção da entrevista foi sobre a questão dos torpedeamentos dos navios na costa sergipana durante a Segunda Guerra Mundial. O Professor Luiz Antônio, que é estudioso deste assunto, afirma que o grande conflito teve inicio em nosso litoral. “Pouquíssimas pessoas sabem, mas a Guerra começou com os torpedeamentos dos navios de passageiros entre 15 e 16 de agosto de 1942. Agora vai completar 80 anos deste fato. Depois disto, Getúlio Vargas declarou Guerra aos países do eixo citando o que aconteceu entre Sergipe e Bahia. O sergipano em si não sabe muito sobre esse aspecto da História que aconteceu aqui. Quando eu dou aula para meus alunos e dou detalhes do que aconteceu, eles ficam espantados até, em saber que cenas de horror aconteceram aqui em nosso estado. Temos um cemitério e uma rodovia que recorda os Náufragos, mas só os nativos do Mosqueiro sabem da história em si. Alguns antigos chamam os que morreram no afundamento dos 3 navios de ‘malafogados’. Este termo só vi aqui em Sergipe, durante a minha pesquisa”, completou.

Outro ponto lembrado na entrevista foi sobre a mudança da capital, de São Cristóvão para Aracaju. Para o professor de história, a figura de Inácio Barbosa é um capítulo à parte. “Um homem que veio do Ceará, indicado por Dom Pedro II para vir presidir Sergipe e, quase que de cara, planejar a mudança de uma capital de uma cidade já com estruturas para um local onde não havia nada, foi um ato de muita coragem. Claro que houve o lado político e econômico, devido ao porto que São Cristóvão não tinha condições, mas esta ação mostrou o gigantismo de Inácio para com o nosso estado”, comentou.


Luiz Antônio também destacou a importância da Igreja Católica pela manutenção da História para se chegar a diversas pesquisas. “Não só no caso de Sergipe mas na História do Brasil como um todo, a Igreja ainda é fundamental, pois manteve diversos escritos durante a passagem do tempo. Se não fosse por isso, a pesquisa não seria tão completa”, destacou o Professor.


No entendimento do especialista em História de Sergipe, nosso estado não é só feito de personagens e fatos, mas também de cores e de sabores. “Nossa culinária é riquíssima. Aqui temos nosso cuscuz com queijo ou charque. E o nosso famoso ‘pão jacó’? Temos duas vertentes para o nome, sendo que a primeira diz que o pão era feito no Santo Antônio e levado par as padarias do Centro por um rapaz chamado Jacó. A outra vertente diz que o nome surgiu em uma famosa padaria da Rua Santa Rosa e o padeiro também tinha o mesmo nome. Independente disto só o sergipano batizou assim o famoso pão francês”, detalhou.


Ao final, o professor declarou o amor e o carinho que tem pelo Estado onde nasceu, viveu e atua, sendo professor de escolas publicas e particulares. “Ser sergipano é ter orgulho de suas origens e raízes. Independente se a pessoa é da capital, do litoral ou do alto sertão, agreste, sul e centro-sul. Ser sergipano é um orgulho que ainda precisa crescer em nossa sociedade. Sempre digo que é apaixonante ensinar e pesquisar sobre Sergipe. É uma missão que celebro, não só hoje, mas todos os dias”, afirmou.




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Fotos: Rozendo Aragão